Gustavo da Silva Albuquerque foi preso preventivamente na manhã desta terça-feira (28/7), suspeito de integrar um esquema milionário de agiotagem, extorsão, ameaças e lavagem de dinheiro que teria como principais vítimas servidores públicos, especialmente funcionários do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A prisão foi realizada no beco Solimões, bairro Aleixo, zona Centro-Sul de Manaus.
Contra ele havia três mandados de prisão preventiva em aberto, além de ser um dos alvos da Operação Usura, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Amazonas (MPAM), nessa segunda-feira (27/7).
Durante a prisão, Gustavo ainda ameaçou de morte o delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (1º DIP). Segundo a autoridade policial, o investigado indicou com precisão seu endereço residencial e afirmou que iria executá-lo, motivo pelo qual também passou a ser autuado em flagrante por essa nova ameaça.
Após ser detido, Gustavo foi conduzido ao 1º DIP para os procedimentos legais. Ele não prestou declarações à imprensa ao chegar à unidade policial e permanecerá à disposição da Justiça.
Suposto “conselheiro” do CV
Ainda segundo o delegado Cícero Túlio, o suspeito é apontado como um dos integrantes da organização criminosa investigada por praticar empréstimos ilegais com cobrança de juros abusivos, acompanhados de ameaças e violência para obrigar as vítimas a quitarem as dívidas.
De acordo com as investigações, Gustavo se apresentava como suposto “conselheiro” da facção criminosa Comando Vermelho (CV), utilizando a falsa posição para intimidar pessoas que haviam contraído empréstimos com o grupo e reforçar as cobranças ilegais. A Polícia Civil também afirma que ele e outro investigado, identificado como Bruno Luan, continuaram promovendo ameaças e extorsões mesmo após as primeiras operações contra a quadrilha.
Conforme o delegado Cícero Túlio, a investigação que resultou nas operações teve início há cerca de 20 dias, após uma servidora pública denunciar ameaças feitas por integrantes de diferentes grupos ligados à agiotagem. A partir das apurações, dez pessoas foram identificadas como participantes diretas do esquema criminoso.
As investigações revelaram que os suspeitos realizavam cobranças de forma violenta, monitoravam as vítimas nas proximidades de prédios públicos e chegaram a planejar ataques contra veículos oficiais. Entre as vítimas está uma servidora do TJAM, que relatou ameaças constantes, incluindo promessas de sequestrar seu filho e de “metralhar” um veículo utilizado pelo tribunal.
“Operação Usura”
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado pela Operação Usura oferecia empréstimos que chegavam a R$ 200 mil, cobrando juros mensais entre 30% e 70%. Quando os devedores não conseguiam cumprir os pagamentos, passavam a sofrer intimidações, constrangimentos e outras formas de pressão para quitar os valores exigidos.
O caso também possui ligação com uma operação realizada em fevereiro deste ano, quando seis pessoas foram presas por suspeita de integrar um esquema de agiotagem voltado contra servidores do Poder Judiciário estadual. Desde então, as investigações apontam que as ameaças contra funcionários do TJAM se intensificaram.
Além de Gustavo, a Operação Usura já resultou na prisão de um advogado apontado como líder da organização, de um policial militar investigado por participação no esquema e de outro homem detido por desacato durante o cumprimento das medidas judiciais.
As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização, apurar a movimentação financeira do grupo e esclarecer a participação individual de cada investigado.
*Com informações do Portal Toda Hora








