A investigação sobre a morte de Benício Xavier Freitas, de 6 anos, ganhou novos desdobramentos esta semana em Manaus. A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) cumpriu, nesta quinta-feira (18/12), mandado de busca e apreensão na residência da médica Juliana Brasil Santos, investigada por prescrever superdosagem de adrenalina à criança no Hospital Santa Júlia.
Na ação, expedida pela 1ª Vara do Tribunal do Júria, os agentes do 24º DIP apreenderam o celular dela, documentos e um carimbo com especialidade em pediatria, embora a médica não possua o título oficialmente reconhecido. Juliana admitiu o erro em documento e mensagens trocadas com outro médico, versão que a defesa afirma ter ocorrido no “calor do momento”.
A médica e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que teria aplicado a medicação diretamente na veia, tiveram a prisão preventiva negada pela Justiça, seguindo parecer do Ministério Público do Amazonas (MPAM). O juiz Fábio Olintho de Souza determinou, porém, medidas cautelares, entre elas a suspensão do exercício profissional por 12 meses, afastamento de testemunhas e familiares da vítima e comunicação ao CRM-AM, Coren-AM e às secretarias de Saúde.
Para o magistrado, manter Juliana atendendo, especialmente crianças, “representaria risco à saúde pública”. A técnica já estava com suspensão cautelar desde 1º de dezembro.
Perícia em sistema do hospital
Paralelamente, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) autorizou, na quarta-feira (17/12), uma perícia minuciosa nos sistemas computacionais do Hospital Santa Júlia e da empresa Philips, responsável pela plataforma.
Segundo o delegado Marcelo Martins, os peritos terão acesso a “todas as camadas do sistema” para apurar se o erro foi apenas humano ou se houve falhas estruturais na prescrição e no registro de medicamentos.
A direção do hospital e seus proprietários — Édson Sarkis, Édson Sarkis Júnior e Júlia Sarkis — prestaram depoimento. Eles negaram gestão familiar centralizada e disseram existir uma estrutura dividida em superintendências, diretorias e gerências.
Édson Sarkis, fundador do hospital, disse à imprensa que unidade dispõe de uma enfermeira responsável pelos protocolos de segurança, mas que essa profissional não foi chamada durante o atendimento ao Benício.
“O hospital tem protocolo, tem protocolo de segurança, tem dupla checagem. No pronto-socorro, havia uma enfermeira responsável pelo protocolo de segurança que não foi acionada, além de outras duas enfermeiras e uma farmacêutica na central”, afirmou o fundador, enfatizando que as ferramentas de prevenção estavam disponíveis.
O inquérito também apura possíveis omissões administrativas, como ausência de farmacêutico e número insuficiente de enfermeiros.
*Com informações do Portal Toda Hora








