A mãe do adolescente indígena de 17 anos, apreendido por esquartejar os dois irmãos — de 2 e 5 anos — na zona rural de Barreirinha (a 330 quilômetros de Manaus), afirmou em depoimento à polícia que o filho mais velho agiu sob efeito de entorpecentes no dia do crime, ocorrido na última sexta-feira (10/10).
De acordo com o delegado Elton Vieira, titular da 42ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Barreirinha, a mãe das crianças saiu de casa e deixou os filhos menores sob os cuidados do irmão mais velho. Ao retornar, ela encontrou as vítimas esquartejadas na sala da casa onde viviam. O cachorro da família também foi morto.
Segundo a genitora, o adolescente apresentava comportamentos alterados pelo uso de drogas, antes de matar os irmãos. Além dela, um professor da suspeito relatou, através de uma carta endereçada à Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), que o jovem vivia em um contexto de extrema vulnerabilidade social e psicológica.
“A mãe afirma que o consumo de drogas nas comunidades indígenas cresce a cada dia, e que o filho possivelmente estava sob efeito de entorpecentes quando tirou a vida dos irmãos. Um professor identificado como Everton contou que o jovem era um aluno comunicativo e participativo, mas que carregava muitas responsabilidades após a perda do pai”, revelou o delegado Elton Vieira, responsável pelo caso.
Suspeito mantém silêncio em depoimento
No dia do crime, o jovem foi capturado por agentes comunitários da região, antes de ser entregue às autoridades locais. No trajeto feito de lancha até Barreirinha, o indígena alegou que foi “instruído” por um tio para matar os irmãos.
“Durante a apreensão, o jovem afirmou que matou os irmãos caçulas a mando de um tio paterno, identificado apenas como Valdecir. Ele alegou que foi ameaçado com uma arma espingarda, entretanto, ao ser interrogado já em Manaus, ele preferiu permanecer em silêncio, sem dar detalhes sobre possíveis motivações. Não descartamos nenhuma linha de investigação. Estamos tentando apurar o paradeiro desse suposto tio”, disse o delegado Elton Vieira, destacando que a polícia apura possível envolvimento de terceiros.
Na casa do adolescente, a polícia apreendeu a arma branca utilizada no crime, além do terçado e a enxada usados para a cavar as covas das crianças e do cachorro da família.
Possível ligação com morte do pai
A PC-AM também investiga se o duplo homicídio tem relação com o assassinato do pai do adolescente, ocorrido no ano passado em circunstâncias ainda não esclarecidas. Desde então, a mãe criava os filhos sozinha.
“Segundo a própria mãe dele, o adolescente era responsável por cuidar dos irmãos na ausência dela. Com a morte do pai, em 2024, além de ser suporte na criação das vítimas, o adolescente também realizava trabalhos de agricultura para ajudar no sustento da família, bem como de seu suposto vício em drogas”, afirmou o delegado.
O adolescente foi autuado por atos infracionais análogos aos crimes de duplo homicídio qualificado e maus-tratos a animal com resultado de morte. Ele permanece à disposição do Juizado da Infância e Juventude Infracional de Barreirinha.
“Esse crime chocou a todos nós. Por isso, esse jovem foi retirado da comunidade indígena em que vivia, pela possibilidade de ser linchado. Todo o procedimento foi feito em Parintins e, posteriormente, ele foi conduzido e remanejado para Manaus”, relatou o coronel Tiago Balbi, da Polícia Militar do Amazonas (PMAM).
*Com informações do Portal Toda Hora








