Manaus pode enfrentar problemas de abastecimento de água nas próximas décadas, apesar de estar às margens de um dos maiores rios do mundo. Um estudo inédito aponta que a combinação entre mudanças climáticas, estiagens mais intensas e o uso descontrolado de água subterrânea pode colocar a segurança hídrica da capital em situação crítica até 2040.
A pesquisa “O desafio da segurança hídrica na região de Manaus e políticas de sustentabilidade”, produzida pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, estima que a cidade tenha mais de 27 mil poços em operação. Desse total, apenas cerca de 5 mil estão registrados pelos órgãos de controle.
O número chama atenção porque Manaus depende de duas principais fontes de abastecimento: o Rio Negro e as águas subterrâneas. Para os pesquisadores, a exploração sem controle dos poços aumenta a pressão sobre o sistema justamente em um cenário de estiagens mais frequentes e severas provocadas pelas mudanças climáticas.
O estudo defende a diversificação das fontes de água como uma das medidas para reduzir o risco de desabastecimento. Entre as alternativas estão o reúso da água, o uso mais controlado dos poços, o monitoramento das reservas subterrâneas e a proteção dos mananciais.
Outro ponto levantado pela pesquisa é a baixa adesão de parte das indústrias à rede pública. O setor ainda utiliza água de poços para suas atividades, o que, segundo o estudo, reduz o número de consumidores conectados ao sistema de abastecimento.
A entrada dessas indústrias na rede pública poderia, de acordo com os pesquisadores, ajudar a reduzir os custos fixos do sistema e fortalecer o chamado subsídio cruzado, mecanismo que contribui para manter tarifas mais baixas para consumidores residenciais, sociais e vulneráveis.
Para Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Manaus reúne fatores que exigem planejamento para evitar problemas futuros. A cidade tem acesso a uma grande fonte superficial de água, mas também depende de poços que, em muitos casos, funcionam sem outorga ou fiscalização adequada.
“Segurança hídrica se constrói com planejamento e mitigação de risco”, afirmou Pretto durante a apresentação do estudo, nesta quinta-feira (3), na Fundação Getulio Vargas (FGV), em São Paulo.
O levantamento também foi debatido pelo diretor-presidente da Águas de Manaus, Pedro Freitas. Segundo ele, reduzir perdas, preservar as fontes naturais e ampliar a participação de diferentes setores no sistema público são medidas necessárias para evitar problemas de abastecimento no médio e longo prazo.
A pesquisa foi apresentada em um momento em que Manaus já enfrenta os efeitos de períodos de estiagem mais severos. Para os pesquisadores, o cenário reforça a necessidade de antecipar medidas para garantir o abastecimento da capital diante das mudanças no regime de chuvas e da crescente pressão sobre as águas subterrâneas.
*Com informações da assessoria








