O comandante da lancha Lima de Abreu XV, José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, passará por audiência de custódia nesta terça-feira (17/03), às 10h. Ele se apresentou à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), na zona Leste de Manaus, na noite dessa segunda-feira (16/03).
Investigado por homicídio com dolo eventual, o piloto era considerado foragido desde o dia 14 de fevereiro, data em que a Justiça do Amazonas decretou sua prisão preventiva após o naufrágio ocorrido no Encontro das Águas.
Segundo o delegado Ricardo Cunha, titular da DEHS, Pedro José chegou à unidade policial com o rosto coberto e acompanhado de uma advogada.
“A advogada do comandante afirma que a sua ausência de um mês não foi uma tentativa de fuga. O acusado sustenta que ficou assustado e fragilizado com a repercussão do caso, mas agora se apresentou e pretende colaborar com as investigações”, afirmou o delegado da DEHS.
O comandante chegou a ser preso no dia do acidente, mas liberado após pagamento de fiança. No entanto, no dia seguinte ao naufrágio, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto decretou sua prisão preventiva para garantir a ordem pública e a aplicação da lei penal.
As causas do naufrágio ainda não foram oficialmente esclarecidas e seguem sob investigação das autoridades.
Relembre a tragédia
O acidente aconteceu no dia 13 de fevereiro, quando a embarcação de transporte de passageiros saiu de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte transportando cerca de 80 pessoas. O naufrágio resultou em três mortes confirmadas e, até o momento, cinco pessoas seguem desaparecidas.
Entre as vítimas fatais estão:
- Samila de Souza (3 anos): chegou a ser hospitalizada, mas não resistiu
- Lara Bianca (22 anos): estudante de odontologia
- Fernando Grandêz (39 anos): cantor gospel, cujo corpo foi localizado três dias após o ocorrido
Testemunhas relataram que o piloto foi alertado sobre a força do banzeiro — ondas características da região — e orientado a reduzir a velocidade antes da lancha afundar. Imagens registradas por passageiros revelaram cenas de desespero, incluindo o resgate de um bebê prematuro de cinco dias que foi mantido em um cooler para sobreviver à deriva.
A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) busca agora esclarecer as circunstâncias exatas e as responsabilidades técnicas que levaram a embarcação a naufragar, enquanto as equipes de resgate mantêm as buscas pelos desaparecidos.
*Com informações da assessoria








