Com bairros isolados, comunidades rurais submersas e necessidade de construção de pontes improvisadas para garantir a circulação de moradores, Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) decretou, nesta quinta-feira (18/06), situação de emergência por causa da cheia dos rios.
A medida, assinada pela prefeita Valcileia Flores Maciel (MDB), estabelece o estado de emergência por 180 dias em áreas afetadas pelas inundações e atribui parte dos impactos ao fenômeno climático La Niña, responsável pelo aumento do volume de chuvas.
O rio Solimões atingiu a marca de 19,04 metros no município, ultrapassando a cota de inundação e avançando sobre comunidades rurais e áreas urbanas. O cenário já havia sido antecipado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que, no terceiro alerta de cheia divulgado em maio, apontava que Manacapuru havia superado a cota de inundação de 18,20 metros.
Segundo as projeções do órgão, havia 80% de probabilidade de o rio atingir 18,98 metros durante o período de cheia. Apesar da elevação expressiva, a possibilidade de alcançar a cota de inundação severa, de 19,60 metros, ou repetir a máxima histórica de 20,86 metros permanecia inferior a 1%.
Impactos no município
No decreto, a prefeitura destaca que a inundação já afeta toda a extensão da zona rural e parte da área urbana. Entre os problemas relatados estão a perda de lavouras, dificuldades para criação de animais, interrupção do abastecimento de água em comunidades abastecidas por poços e nascentes, além do comprometimento do fornecimento de energia elétrica.
Na área urbana, a cheia deixou moradores isolados em diversos bairros, obrigando o município a construir pontes provisórias para garantir o deslocamento da população. Em muitas residências também tem sido necessária a construção de marombas, estruturas elevadas utilizadas para proteger casas dos alagamentos.
A prefeitura também alerta para reflexos diretos na educação e na saúde pública. Algumas escolas da zona rural e da sede do município já enfrentam dificuldades de funcionamento devido à cheia, principalmente por conta dos problemas de deslocamento dos professores.
Além disso, a administração municipal destaca o aumento da demanda por atendimentos médicos, medicamentos e ações preventivas diante do risco de proliferação de doenças associadas às inundações.
O documento prevê a possibilidade de remoção temporária de famílias para programas de aluguel social, caso as condições de segurança sejam comprometidas.
La Niña é fator agravante
Um dos pontos que chama atenção no decreto é a menção direta ao fenômeno La Niña como um dos fatores responsáveis pelo agravamento da cheia.
O fenômeno, encerrado oficialmente em abril deste ano, é caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar aumento das chuvas na região Norte do Brasil, especialmente no Amazonas.
*Com informações do Portal Toda Hora








